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Política não se curte.

Abordar temas polêmicos no Facebook é um perigo: é fácil esquecer ( e ofender) quem está do outro lado, lendo.
Tornou-se verdade absoluta que o anonimato é o grande culpado pela profusão de comentários preconceituosos, agressivos ou ofensivos na internet. Quando obrigados a mostrar rosto e nome, acredita-se, os autores dessas opiniões são mais comedidos. Se assim fosse, o Facebook e outros sites de relacionamento em que os participantes se identificam seriam ambientes de pura civilidade. Não é o que acontece. As redes sociais on-line apenas ajudam a polarizar ainda mais as discussões sobre temas polêmicos, principalmente os que envolvem política.

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Nesses sites, as pessoas defendem suas idéias com uma intolerância raramente vista em uma mesa de bar, em uma festa, numa sala de aula, no futebol de fim de semana ou em outras situações de convívio social. Estima-se que um em cada três comentários discordantes sobre política no Facebook é ofensivo ou extrapola os limites da boa educação.

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Há três motivos prováveis para esse comportamento.
O primeiro é que o contato a distância, pela internet, não dispõe dos elementos que provocam empatia com o interlocutor, como o olhar, a expressão corporal e o tom de voz, e que servem de freio as ofensas. Quando se está frente a frente com alguém, até a disposição para tocar em temas sensíveis diminui.

O segundo motivo é que as redes sociais colocam na mesma sala virtual amigos próximos e meros conhecidos. Nas relações do mundo real, as pessoas se afastam naturalmente de amigos com os quais deixaram de ter afinidade por alguma razão - seja por terem adotado estilos de vida diferentes, seja pelas posições políticas. As redes sociais, a grosso modo, nos fazem essa distinção e muitas vezes obrigam o dono do perfil a ler as opiniões desbaratadas publicadas por "amigos" com os quais mantém apenas uma relação superficial.

Terceiro, as redes on-line incentivam os membros a expor seu lado militante. O mural (onde as mensagens são publicadas) do Facebook, por exemplo, é, como o próprio nome sugere, um ótimo lugar para "colar" cartazes e "estender" bandeiras ideológicas virtuais. Ali se faz proselitismo de vegetarianismo, de crenças religiosas, de posições políticas e de outras causas. Como não há botão de "Não Curtir" no Facebook, resta discordar por meio de um comentário ou se calar.

Alguns sociólogos acreditam que o contato involuntário com opiniões conflitantes nas redes on-line pode ter ao menos o efeito positivo de estimular a participação política dos cidadãos. Uma pesquisa com 3.500 jovens de 18 a 24 anos feita durante as primárias das eleições presidenciais americanas de 2008, contudo, mostrou que o interesse em compartilhar informações e comentários de cunho ideológico na internet não se estendia a atividades políticas convencionais, como votar. Nada é mais improdutivo do que usar o botão do mouse para discutir com os amigos.

Fonte: Revista Veja - Edição 2.255 - ano 45 - nº6 - 8 de fevereiro de 2012
Matéria: O Facebook engole o mundo. - Diogo Schelp - pág 86/87

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Autor Roger Dance

Sou criativo, polêmico, autodidata por natureza e político por opção. Meus ideais de uma sociedade justa e igualitária estão no sangue. Sejam bem vindos a minha vida e ao mundo da informação dos bloggers.