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Nova onda de estupros volta a aterrorizar Barão Geraldo

Os casos ocorrem no entorno da Avenida Santa Izabel e sempre pela manhã

Relatos de ataques estão sendo feitos em rede social. Mulheres afirmam que vítimas são atacadas pela manhã no entorno da Avenida Santa Izabel. Polícia nega

Uma nova onda de estupros em Barão Geraldo, em Campinas, tem deixado moradoras do distrito e estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aterrorizadas. Na maioria dos casos, as mulheres não fazem boletim de ocorrência, mas habitantes afirmam em redes sociais que os casos aumentaram muito desde o início do ano.

O Correio conversou com uma das vítimas, atacada em maio, que sofreu duas fraturas de crânio após lutar com o estuprador.
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Muitos ataques ocorrem no entorno da Avenida Santa Izabel, perto da moradia da Unicamp e uma das vias mais movimentadas e conhecidas da região, que concentra comércios e bares.

Casos

O distrito, localizado na região Norte de Campinas, já sofreu com o aumento dos casos de estupros. Em 2011, a violência gerou uma série de protestos de grupos de Barão Geraldo. Desta vez, os casos foram expostos em uma comunidade do Facebook, a SOS Barão Geraldo. Pelo menos cinco meninas relataram conhecerem mulheres que foram atacadas.

Um dos pontos onde, segundo elas, há mais abordagens é na Avenida Santa Izabel. Os estupradores agem entre as 6h e 7h da manhã, quando muitas mulheres utilizam a via para irem ao trabalho. Um terreno baldio ao lado do supermercado Dia seria o local onde os agressores levariam as vítimas para consumar o ato.

Entretanto, nas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), só dois casos de estupros ocorreram na região do 7º DP, que engloba Barão Geraldo, mas também bairros da zona Norte, como o Jardim São Marcos e Santa Mônica, entre janeiro e abril.

O Correio conseguiu entrevistar uma das vítimas. A auxiliar de enfermagem foi atacada no dia 21 de maio, por volta das 6h30, quando estava saindo para trabalhar. O homem estava armado e puxou a mulher pelo braço. "Eu disse que ele poderia levar tudo. Mas ele disse que não queira a bolsa. Aí comecei a lutar com ele" .

Segundo a auxiliar, ela foi atingida com várias coronhadas na cabeça, mas, mesmo assim, lutou contra o homem. A mulher afirmou ainda ter gritado muito por ajuda de vizinhos, que não apareceram. Depois de alguns minutos, uma de suas primas acabou ouvindo o barulho. "Ela apareceu e começou a gritar por ajuda. Como ele estava armado, ela ficou com muito medo dele atirar" .

O homem fugiu sem consumar o ato, depois que um carro que passava pela rua parou para ajudar. A auxiliar de enfermagem sofreu dois traumatismos cranianos, além de lesões no braço e abdômen. Ela permaneceu alguns dias hospitalizada no Hospital de Clínicas da Unicamp e fez o boletim de ocorrência.

"A polícia disse que iria atrás e está fazendo rondas. Eu consigo reconhecê-lo, mesmo porque já tinha visto ele outras vezes andando pelo bairro" . A mulher está afastada do trabalho e disse sentir uma angústia constante. "É um abalo psicológico grande, uma sensação de impotência. A cena vem sempre na cabeça" , desabafou.

A analista de sistemas Ana Paula Idris da Silva, de 27 anos, se diz assustada com os casos. Ela disse que sabe de outros ataques que ocorreram próximo ao Portão 2 da universidade. "A maioria dos ataques ocorre mesmo nas primeiras horas da manhã. Muitas amigas minhas que costumavam caminhar no bairro nesse horário, desistiram por medo" , contou. Segundo Ana Paula, no ano passado uma mulher foi atacada perto de sua casa. "Ela ficou toda ensanguentada. Mas não quis prestar boletim de ocorrência. Elas têm medo e vergonha" .

Negação

Para a Secretaria de Segurança Pública, não existe uma "onda de estupros" . Em nota, a SSP alegou que as estatísticas criminais na área do 7º DP de Campinas indicam o contrário: queda expressiva de 71,43% nos quatro primeiros meses deste ano, com dois casos, contra sete no mesmo período do ano passado. "As polícias ressaltam a importância do registro das ocorrências para a investigação dos casos e o planejamento do policiamento ostensivo e preventivo, feito com base nos indicadores criminais" , afirmou por meio de nota.

Fonte: Correio Popular | Cecília Polycarpo
Foto: Camila Moreira/ AAN




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Autor Roger Dance

Sou criativo, polêmico, autodidata por natureza e político por opção. Meus ideais de uma sociedade justa e igualitária estão no sangue. Sejam bem vindos a minha vida e ao mundo da informação dos bloggers.